segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eu traí o movimento

    Bom, por mais que me chinguem e continuem chingando, porque traí o movimento escoteiro e darei minha resposta. Não é necessário concordar, só quero esclarecer alguns fatores.
    O movimento escoteiro criado pelo BP foi muito importante pra mim, em toda minha vida. Até hoje considero importante demais tudo que aprendi. Ultimamente, amadureci muito e passei a não aceitar totalmente esse mundo mágico que foi pra mim. Eu ingressei em junho de 2000 no escotismo. Eu tinha 10 anos de idade, e entrei, pois minha prima e meu primo faziam. Até os 14 anos, foi muito bom. Formei um grande grupo de amigos lá, que muitos são chegados até hoje. Aprendi muito. Não era um escoteiro exemplar, era um pia pançudo que tava mais pela diversão, do que por qualquer outra coisa, mas mesmo assim aprendi muito. Saí do movimento, porque fui morar numa cidade que não tinha escotismo. Nesse período que me pesou tudo que o Chef Paulo falava. Tudo que o Arrioti falava. Tudo que tava no guia, falava. Nesse momento, tudo começou a fazer ter uma razão pra mim e eu pensei quão foi o tempo perdido que não aproveitei.
   E isso me deu vontade de tentar montar um grupo escoteiro. Reuni uns antigos escoteiros do meu colégio e mandei a proposta. Eu sonhava demais, pensava no futuro. Fizemos uma reunião, não oficialmente. Veio bastante gente até. Fizemos uma segunda, tinha uns 4, creio. Então, pensei em fazer algo pra oficializar e trazer pessoas de todo o munícipio, pois dentro de um colégio particular, as pessoas não davam muito valor.
   Eu tinha 14 anos, ia fazer 15. Não tinha nenhum adulto ou responsável que pudesse me ajudar. Os poucos que toparam, não poderiam em fins de semana. Mandei um pedido de ajuda da UEB, que nunca veio. Fiquei de boa, eu não conseguiria nada com minha idade.
   Voltei pra MCR, com 17 anos. Tive vontade de voltar a fazer escotismo, fui um mês e parei. Na época estava montando um cineclube na faculdade e uma banda, sabia que não ia continuar por muito tempo. Nem pretendia voltar integralmente, mas queria ir continuando. Eu não desisti dos escoteiros pela banda e pelo Cineclube. Eu desisti, pois me falaram que não fazia sentido eu estar lá. E é verdade, eu sou ateu e o primeiro dever dos escoteiros é sempre com "deus"; Foi a coisa mais sensata sobre o escotismo que me disseram e eu fui, pois o escoteiro não continuaria mentindo. Pra mim, é o único defeito do escotismo esse "preconceito" religioso. O que não me agrada, é o movimento atual. Não digo que no meu tempo era bom, pois eu era bem moleque, mas no meu tempo havia o Chefe Paulo e o Arrioti, meu monitor e um dos melhores escoteiros que rondon já tiveram, que me mostraram que tinha uma saída, nem que fosse numa pequena cidade como Marechal. Isso não vejo hoje. Tem chefes muito bons em Rondon e que respeito, mas mesmo assim, pra lá eu não volto.
   Se faço piada e ironia, é meu humilde jeito de criticar algo, que para mim não está bom. Se uso ferramentas da internet como o Twitter e meu blogue, é porque são minhas únicas armas de ter minhas críticas ouvidas, nem que seja para poucos.  Mas a grande real é que meu blogue e meu twitter, são meus confessionários; me deixa mais autista, mas eu gosto. Parece que postando eu realmente ganho voz. Primeiro eu sabia que era uma ilusão, mas hoje eu acredito que é verdade, pelo tanto de chingamentos que recebo. Assim, essas ferramentas se tornam armas.

Notas complementares:   
1-Eu não quero fuder o escotismo, quero que as pessoas abram a mente, e entendam melhor o que fazem parte.
2-Ninguém é obrigado a concordar.
3-Tô com o João gordo e não abro.

P.S. Eu não vou citar todos os eventos que aconteceram pra eu ganhar raiva do movimento atual.


 

4 comentários:

Luiz disse...

Apoiado! As pessoas ficam bravas quando apenas falamos verdades! :D

Any disse...

Eu faço parte do movimento escoteiro, a pouco tempo comparado com muitas pessoas - pouco menos de 3 anos -, para mim o escotismo e muito importante, e ajuda até mesmo minha vida ter mais sentido.
Mas confesso que tenho que concordar contigo quando se trata da religião, não no sentido do movimento ter de abrir mão de uma de suas leis tão importante, mas sim do fato de que não faz sentido algum pessoas que não creem nele permanecerem no escotismo; pois como você mesmo diz, o escoteiro não mente.
Do meu ponto de vista todos tem direito a falar o que pensam, escutar as críticas dos outros não quer dizer que concordamos plenamente com elas, mas não devemos esquecer que todos tem direito de expor suas idéias.

S.A!
(uma vez escoteiro, sempre escoteiro)

Elisa Batisti disse...

Oi cara, resolvi comentar aqui pq me identifiquei MUITO com isso. Sou guia, há +/- 2 anos. qdo entrei eu era católica, e 'percebia' um sentido em um Deus e tudo mais, até que no final do ano passado.. deixei de crer nesse deus, talvez por um simples questionamento cmg mesma, e isso nem vem ao caso. A questão é que me senti 'deslocada' participando de um movimento que tem esse deus como um dos 3 princípios básicos, do qual vem todas as atividades, regras, leis do escotismo. continuo no grupo, que por vezes me fez querer desistir, por questões internas.. continuei pelas pessoas/amizades importantes que fiz lá, pelas diversoes, pelas atividades, que infelizmente sao todas baseadas nesses 3 principios.. nao chego a me sentir como vc, pela questao de 'escoteiro nao mente'. a final são pouquissimos que cumprem as tais 10 leis, mas claro que ser ateu elimina sua estadia no movimento. eu continuo, e concordo contigo se achou que era melhor abandonar. que bom que expôs no blog.

olh disse...

A coisa era muito mais fácil quando eu acreditava que Deus era um ET. Agora eu cresci e acredito que eu sou Deus; e que malditos sejam os ETs.