sexta-feira, 11 de junho de 2010

Loquinho da garrafa

    Uma coisa eu uma grande besteira pode virar uma grande história.
    Lá por junho de 2006 estava em um típico ensaio do coral, nas terças feiras, quando umas 4 pessoas pediram pra ir tomar água. Dae o regente do coral, o grande Irving, falou que ia deixar, mas depois disso cada um com suas garrafinhas. Bom, eu não tinha garrafinhas, só garrafas 2 litros, pois sempre bebiamos coca. Próximo ensaio tava eu lá com a garrafa e virei por um tempo o Zé Graça do coral. Eu continuei levando, por bobeira e por não ter realmente uma garrafinha.
    Chegou o Encorse (Encontro de Corais) em POA e lá fui eu com minha garrafa pagar de Zé Graça que tira onda. Dae estava eu com a garrafa vazia e nós (eu, ariel, eduardo e nicolas, de sapiranga) tomando um lanche e surge a brilhante idéia de colocar suco dentro garrafa. Dae era só alegria os ensaio, bebendo suco. O foda é que o regente de 3 de maio ficava só me encarando.
    Segundo ano, 2007, chegando o Encorse, já estava combinado de EU levar a garrafa para "roubarmos suco" lá. Dito e feito, fomos a Pomerode e no primeiro lanche estava os 4 novamente "roubando suco". No outro dia, chega o Wetz e fala: "Marcos, preciso te contar uma coisa". 
     Proseguiu: "Eu estou hospedado junto com um piá de 3 de maio e ele chegou assim pra mim: 
-'Tu é de Ivoti?'
-'sim'
- 'Então, tu conhece o cabeludo altão, né?' 
-'Sim, sim'
-'Então cara, eu acho que ele é louco. Tipo, ele sempre tá andando com uma garrafa de dois litros"
-'Mas vai que ele tem muita cede?'
-Então, isso que é o mais engraçado. Ele sempre tá com ela vazia. Ano passado em POA ele também tava com ela. Acho que é o melhor amigo dele"
     Eu ouvindo e me mijei rindo. Já planejando um plano de chegar com a garrafa vazia e oferecer água pro cara. Até cheguei perto pra fazer isso, mas comecei a rir. E tive que puxar papo. O pior que não era um cara. Era toda piazada de 3 de maio ficava me zuando de loco. Quando fui falar com eles, me tornei meio que ídolo loco deles. Eles me deram umas pichulinhas pra cuidar e levar elas crescidas.
    A história não acaba. Há 2008, Encorse seria em 3 de maio. Todos ansiosos, alguns mais por ir para a terra de Lúcia Luft. Eu estava na espectativa e pensando em levar a garrafa. O Foda que perdi todas. Um pouco antes de ir para lá, tivemos uma apresentação em um colégio Agrícola em Santa Catarina. Lá eles deram um refri chamado "Spri". O refri nem era tão ruim, quanto pode parecer. Mas é bizarro. Amarelo cor de mijo. 
    Cheguei no colégio, primeira coisa era achar o pessoal de 3 de maio e mostrar a garrafa. Achei, e estávamos todos pulando de alegria. E todo tempo a pira era do loquinho da garrafa, mas a pira se alastrou e era quase todo mundo do Encorse ligado na história da garrafa. Altos caras vinham falar comigo sobre. Nos ensaios era a vida. Domingo era a ultima apresentação e tinha a apresentação do Grande Grupo. Antes da noite fomos até a casa da Lúcia, muitas pessoas umas 40. Ela estava no banho e não pode atender. Voltamos e jantamos e ninguém mais queria voltar. Mas eu e o Ariel não estávamos pra brincadeira e destinados a cumprir nossa missão ao preço que fosse. Eis que surge uma esperança: "O Celta". Era um piá que só foi no Encorse de 2008, que eu apelidei ele assim, porque ele tinha uma tatuagem de uma cruz celta, se não me engano. Ele falou que conhecia mais ou menos e ia levar. 
    No interfone falou que tinha fãs e que eram de Santa Cruz. Santa Cruz, porque o sonho de Lúcia Luft é tocar na Ocktoberfest de lá. Conseguimos. Os 3 ficamos na sala de tv da Lúcia conversando com ela. Um sonho. Eis, que tocam a campainha e lá fora estava alguns dos 40 pelegos que estavam antes lá. Sorte que alguém levou uma camera, assim podemos captar uma bela imagem.

  Voltamos, assistimos as apresentações do grupos restantes. Era hora do grande grupo. Nos acomodamos e ficamos lá. A euforia era grande e ficamos ali agitando. Eu com a garrafa, volte e meia levantava ela e gritava-mos. Acho que cantava-mos uma curta canção para ela. E uma mulher a vice-diretora de 3 de maio, querendo tudo bonito ficou estressada e tirou a garrafa. Dae começou uma revolução. Planejavamos não cantar ou fazer algum protesto. Era injusto. A garrafa fazia parte do coral ou do Encorse, ao menos pra nós.
   Ao final de tudo, ela veio me abraçar e devolver a garrafa. Ela falou que só quis deixar tudo bonito. Eu, talvez cego por ter minha garrafa de volta, a perdoei. E ae começou as lágrimas e tudo mais. Todo ano sai gente e entra novas, eu era uma que iria sair. Com essa minha fama e várias amizades feitas, muitos vieram tirar foto comigo. Pessoas que tinha só visto, mas nem conversado direito. Muita gente, mesmo. Irving pediu para irmos e a caminho do ônibus, tirei mais algumas fotos. E nesse caminho ouvi a frase mais marcante da minha vida. "Poxa, como será ano que vem? Quem vai trazer a garrafa? Podemos até achar outro louco da garrafa, mas aposto que não será a mesma coisa"; Eu falei que tentaria volta, por forças do destino, não pude. Poderia ir esse ano, ainda tenho algumas conhecidas que irão, mas a maioria também se formou e não está mais.
    Isso que é o mais foda de ter morado em Ivoti. Esses encontros, as amizades, o próprio colégio. Eu voltei para o Paraná. Por mais que eu ame essa terra, tenho saudades dos tempos de lá. Foram os 3 anos mais "tris" da minha vida. Não reclamo dos amigos daqui, nem nada. São grandes parceiros tanto quanto os de lá, porém, a época e tudo envolta, conspirava a favor disso.

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